Powered By Blogger

Sunday, April 28, 2013

Você sabia que o Caribe só dá “flor ariana” na imaginação do autor de novela brasileiro?



As evidências mais explícitas da manutenção do projeto racista de “embraquecimento” do Brasil é a postura de concessionários públicos que atuam na mídia. São posturas marcadas pelo flagrante e impune desrespeito ao quadro de miscigenação racial do Brasil, em nome da manutenção de uma estética perversa resumida em um mantra cruel, enquanto institucionalizada, qual seja: “branquear para melhorar”.
Depois de uma novela como foi “lado a lado” onde “se pretendeu” dar a um casal de protagonistas negros o mesmo status dos seus pares, no caso um casal de protagonistas brancos, os arautos da pseudo-democracia racial, encastelados no círculo velado decisório da mesma emissora que dá emprego a um senhor de nome Ali Kamel, autor do livro “Não somos racistas – Uma reação aos que querem nos transformar em uma nação bicolor”, na sequência, traz uma “flor do caribe” ariana. E por mais que você leitor, incomodado como eu pela percepção da manutenção do status quo racista e excludente com relação à visibilidade do Negro e do Afrodescendente, assuma com relação a essa “obra da ficção” postura clássica do “não vi e não gostei”, a lavagem cerebral praticada desde as primeiras horas do dia pela repetição massiva das “chamadas” torna incontornável a indignação de qualquer cidadão dotado de um mínimo de escolaridade, aliada a um mínimo de conhecimento da verdadeira história do Brasil, aquela que você só vê nos livros de Décio Freitas, como o livro “La Guerrilha Negra, Montevidéu, Nuestra América, 1971, que conta a história de Zumbi e do Quilombo dos Palmares (lançado em Montevidéu por ter sido proibido o lançamento aqui)”. É que a da Lei 10.639/03, alterada pela Lei 11.645/08, que torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana em todas as escolas, públicas e particulares, do ensino fundamental até o ensino médio até agora "não pegou".Quem sabe, se essa lei um dia "pegar" nós teremos acesso a verdadeiro acesso a verdadeira História do Negro.
A boçalidade explicita atropela o bom senso e segue impune e aplaudida pelos telespectadores (e contribuintes) aficionados seguidores das coisas do Brasil, colocadas pelos processos educacionais promovidos pelas telenovelas fabricadas a partir da matéria prima representada pela baixa escolaridade, matéria prima farta no nosso país, haja vista a promoção efetiva do manto de ignorância a categoria de "bandeira da simplicidade", ao  cobrir o nosso povo heroico e sofrido. Essa promoção, diga-se a bem da verdade, implementada pelo governo, através dos seus “planos de educação” está na ordem do dia a título de "simplificação das coisas".  Aí o contribuinte assiste a “estórias das Índias”, vividas por atores brancos fantasiados de hindus, falado Português, recheado aqui e ali, de dois ou três arremedos de termos ou expressões em Híndi, e chega ao fim da “estória” sem saber nem onde fica a Índia, ou qual a capital da Índia, ou quem foi Mahatma Gandhi, e o que fez pelo seu povo, ou mesmo quais as razões históricas para a existência de um sistema de castas, que está na base da origem dos “brâmanes”, ou dos “dalits”, tipos tão explorados em uma novela que passou. E na sequencia infeliz dos acontecimentos envolvendo, agora um universo onde circula o capital com sua selvageria mais autentica beneficiando os "famosos", assiste-se a “estórias envolvendo a Turquia” com turcos encarnados segundo as visões estereotipadas da nossa cultura eurocêntrica, e todos ficam felizes, sem perceber o avanço da marcha cruel do racismo na direção da sua consolidação como “processo de seleção natural”. A televisão nos dá os espelhos e colares modernos e nós reagimos do mesmo modo que os nossos antepassados indígenas reagiam há 500 anos.
Agora, a televisão racista do Brasil oferece ao contribuinte uma “flor do Caribe” ariana, que faz par com um ator ariano, formando um casal que não tem nada a ver com as características étnico-raciais do Caribe ou com a representação pitoresca desse povo tão miscigenado. O Caribe ou Antilhas como é também conhecido, é uma região que consiste do Mar do Caribe, e suas ilhas e algumas encerradas no Mar do Caribe e algumas outras beirando, tanto o Mar do Caribe como o Oceano Atlântico Norte. A região está localizada a sudeste pelo Golfo do México e do continente norte-americano, a leste da América Central e a norte da América do Sul.
Os principais países da região do Caribe – (com suas Capitais) - são: Antiga- (St.John's);Cuba-(Havana); Barbuda -(Codrington);Anguilla -(The Valley)
Barbados; (Bridgetown);Ilhas Virgens Britânicas- (Road Town);Dominica – (Roseau);
República Dominicana- (São Domingo);Guadalupe -(Basse Terre);
Granada-(São Jorge);Guiana-(George Town);Martinica-(Forte-da-França);Nevis-(Charlestown);Saint Croix-(Christiansted);Porto Rico-(São João); St.Kitts-(Basseterre);
Santa Lucia-(Castries);São Martinho /St.Maarten-(Philipsburg);São Thomas-(Charlotte Amalie);São Vicente e Granada-(Kingstown);Haiti-(Porto Principe);e Jamaica-(Kingston).
O Caribe só tem como referencia o branco europeu na visão colonialista da história das Américas, e nos romances de cunho dúbio cunhados pelas mentes racistas de Hollywood, no que seguido pelos eternos autores das chanchadas novelísticas brasileiras, herdeiros diretos dos melodramas hispânico-mexicanos.
Uma legitima flor do Caribe é Tully Femcourt, a Miss Maritnica 2010, que aparece ilustrando esse post.

Referencias:

1.      Entrevista com Joel Zito Araújo; Acesso:  vivafavela.com.br/materias/entrevista-joel-zito-ara%C3%BAjo, (acessado em 27/04/13);
2.      Caribbean; Acesso: https://en.wikipedia.org/wiki/Caribbean  (acessado em 28/04/13);
3.      Imagem: TullyFemcourt, Miss Maritnica 2010; Acesso: www.timesofbeauty.com  (acessado em: 28/04/13);

Saturday, April 6, 2013

Por que a Bahia que é negra é representada por “rainhas do axé” brancas



A falta de um ponto de interrogação na frase acima é proposital. Serve para simbolizar a omissão do conjunto da sociedade quanto à reclamação do que lhe é de direito, atitude que gera perguntas sem respostas, ou melhor, perguntas que já surgem respondidas. Essa seria só o primeiro questionamento de uma série de questionamentos nesse mesmo naipe. Afinal, o Brasil enquanto colônia de Português recebeu dez vezes mais escravos africanos do que os números transportados para a América do Norte.
Quando da decisão de trazer para o Brasil os “mega eventos” que vão se suceder em 2013 e 2014, esse modesto colaborador já denunciava que tais eventos se constituiriam em oportunidades para a consolidação do “apartheid tupiniquim”. E o aspecto mais particular desse racismo institucional praticado nesse país é que é essa figura (i)legal de legislação velada é financiado pelo imposto que nós pagamos.
E amanhã haverá um Ba-Vi com lotação máxima inaugurando o Estádio da Copa do Mundo de 2014, estádio “dado de presente”?(?) ao povo “embrulhado por uma fitinha do Senhor do Bonfim”, de frente para o Dique do Tororó, onde pontuam os “Orixás”, e as duas principais atrações serão duas “cantoras de axé” brancas. Quando foi que você passou procuração para os seus representantes escolherem essas pessoas para representar a cultura dos nossos avós, que foi combatida e quase destruída pelos avós deles?

QUANDO FOI QUE VOCÊ PASSOU PROCURAÇÃO PARA A TV GLOBO DECIDIR QUAIS OS ARTISTAS QUE REPRESENTAM A NOSSO CULTURA?
 
Quanto será que nós estamos pagando de cachê que irá colaborar para a manutenção dos projetos das pessoas da cúpula das entidades envolvidas? Você sabe?Você não quer saber? Engraçado que as pessoas escolhidas para nos representar e representar a cultura dos nossos avós são pessoas que no carnaval lideram agremiações nas quais nós nem podemos nos filiar, a não ser na condição de "cordeiros", que é um título que nos cabe bem. Tenho alunos que vem de outros países para se filiar e que revelam as cifras astronômicas que desembolsam para “sair nos blocos” mais famosos de Salvador.

O FATO É QUE O BRASIL TEM VERGONHA DE SER AFRODESCENDENTE E TENTA VENDER O MUNDO ESSE "PROJETO MORENO"Á CUSTA DE UMA PRÁTIC RACISTA E EXCLUDENTE.
O BRASIL TEM VERGONHA DA SUA POPULAÇÃO NEGRA! 

Vou à Ribeira, na Fazenda Garcia, na Federação, vou ao Centro Histórico, vou às periferias de Salvador, vou a Simões Filho, Candeias, São Francisco do Conde, Madre de Deus, e ouço Edson Gomes dizendo:

“Vamos amigo ajude, se não
A gente acaba perdendo o que já conquistou...”.

Quando é que a gente vai acordar e “ajudar para não perder o que já conquistou”?A escravidão já acabou mesmo? Desde quando? Quem sabe?Quem pode identificar o evento que marcou o fim da escravidão?
Bem por enquanto, como sempre, resta aqueles que enxergam alguma coisa pontuarem a manutenção do status quo, e só. Não muda nada. Quando será que nós vamos tomar vergonha na cara?
Uma festa baiana tem:
Marcio Vito, Leo Santana, Jerônimo, Lazzo, Margarete Menezes, Olodum, Ilê Ayê, Edson Gomes e Malê Debalê, só para começar.