Venho aqui na
tentativa de reparar uma ausência de citações antes que seja tarde.
Reputo o Correio
Nagô e o seu mantenedor, o Instituto Mídia Étnica como representantes da voz
dos que não tem voz na “grande mídia”. É assim que o CN se torna automaticamente
um representante da mídia alternativa, e como tal se constitui canal de
veiculação e troca de informações no intuito de integrar ‘todos’ os segmentos
da sociedade no que toca seus legítimos anseios por informação comprometida
como que acontece de fato em níveis conjunturais os quais não estariam
colocados ao seu alcance, quer seja por conveniências políticas julgadas a
revelia pela “grande mídia”, quer seja por conveniência política dos grupos de
poder, os quais agem em função da “defesa” de suas agendas particulares, cada
vez mais e mais corporativas. Atribuo à mídia alternativa o exercício livre
do seu papel, guardadas as molduras do decoro, da ética e da educação doméstica
que deve reger as relações entre as pessoas no convívio social. Não vejo o
Correio Nagô como representante de qualquer viés político ideológico associado
a qualquer interesse partidário imediato ou não, ou como executor de agendas engendradas
em bastidores de poder sob qualquer que seja o objetivo. Aí vejo no Correio Nagô um “post” intitulado: “Movimentos ocupam a
Secretaria de Segurança de São Paulo” denunciando o genocídio que se abate sobre
a juventude negra nesse país, o que constitui uma denúncia grave, que só não
assume o tom que a expectativa social deveria perceber, devido ao investimento
maciço dos grupos de poder (governos, políticos, empresários, etc.:) na ignorância
do povo, esse evento garantidor fundamental da manutenção do status quo, ou vocês pensam que nos “países
desenvolvidos” as coisas acontecem de forma séria por que o povo que existe lá
é diferente de nós?
Porém não vi até
agora nada no CN que faça referencia a viagem da Presidente Dilma Rousseff a
Roma para a cerimônia de entronização do Papa Francisco, em uma “viagem” tão
inesperada quanto à eleição do próprio Francisco. Quais os verdadeiros motivos que fizeram com que
a decisão de ir a Roma ver o Papa fosse tomada? E que motivos levaram a
composição da comitiva presidencial com nomes (aliás, nomes já corriqueiros no
que toca a formação da comitiva presidencial), como Aloísio Mercadante, e
Gilberto Carvalho?Que motivos levaram a Presidenta e sua comitiva a escolher um
dos mais luxuosos endereços de Roma para se hospedar?
O Jornal A Folha
de São Paulo na sua edição online datada de 20 de março, traz a seguinte manchete:
“Dilma opta por Hotel: comitiva usa 52 quartos e 17 carros”. Segundo a matéria
produzida pelo enviado especial daquela agencia noticiosa, um dos quartos foi
transformado em escritório para a Presidência da República. A diária da suíte
presidencial custa cerca de R$ 7.700, enquanto o quarto mais barato fica por R$
910. Os outros 22 quartos, para pessoal de apoio, ficaram em local próximo. A
presidente não quis ficar na residência oficial da Embaixada do Brasil,
instalada num amplo palacete no centro histórico de Roma e que costuma receber
mandatários do país. Foi o caso do ex-presidente Lula, em 2005, quando
participou do funeral do papa João Paulo 2º. Segundo a assessoria da
Presidência, Dilma prefere hotéis por facilitar a rotina de trabalho. No caso
específico de Roma, outro motivo é que a representação brasileira está
temporariamente sem embaixador. Já a frota alugada inclui sete veículos sedan
com motorista, um carro blindado de luxo, quatro vans executivas com capacidade
para 15 pessoas cada, um micro-ônibus e um veículo destinado aos seguranças. Apenas
para o transporte de bagagens e equipamentos, Dilma contou com um caminhão-baú e
dois furgões. A presidente chegou no domingo à tarde em Roma, quando aproveitou
para visitar duas igrejas históricas. Anteontem, visitou uma exposição do
pintor italiano Ticiano, se reuniu com o ex-ministro de Lula José Graziano da
Silva, diretor-geral da FAO (organização da ONU para agricultura e alimentação)
e com o presidente da Itália, Giorgio Napolitano, que está em fim de mandato.
Um dia ouvimos
dizer que a luta da esquerda nesse país se pautava pela defesa do interesse do
povo “oprimido pelas elites burguesas ao longo de toda a sua história”. Hoje em dia
assistimos ao exercício do desperdício e da opulência em nome da tentativa de
manutenção de frágeis agendas de cunho político-ideológico, ou será que está
difícil perceber as manobras de um grupo ideológico rumo ao objetivo de se identificar
o mais prematuramente possível com um Líder religioso capaz de barrar o curso
das “beatificações populescas” orientadas por agendas políticas, co-patrocinadas
pela ingenuidade dos que seguem o curso das coisas sem se dedicarem a uma maior
reflexão sobre o que o futuro reserva?
Saíram os novos e
impressionantes números da “popularidade da Presidenta Dilma. Mas, que
significado prático se pode atribuir à popularidade da Presidenta, se no terreno
onde as coisas acontecem de fato, o pedreiro Jamil Luminato, 53 anos, vive hoje,
exatamente no mesmo lugar onde viveu drama semelhante ao que protagonizou há 31
anos.? Em 1981, o pedreiro desempregado foi símbolo dos deslizamentos em
Petrópolis, que mataram dezenas de pessoas. Sua foto correu o país e deu ao
fotógrafo Carlos Mesquita, morto ano passado, o prêmio Esso Regional de 1982,
um dos mais importantes da categoria. Na primeira página do "Jornal do
Brasil", a imagem mostrava Jamil, então com 21 anos, carregando o corpo de
um bebê. A criança acabara de ser retirada por ele do meio do barro, no local
onde nasceu, foi criado e mora ainda hoje, o bairro Independência. Segunda-feira,
o pedreiro tentou fazer o mesmo, e dessa vez para salvar a filha, Drucilane
Alves Luminato, 31; o genro, Rodrigo Vale; e dois netos, Rodrigo de Oliveira
Valle Junior, 4 e João Vitor Alves do Valle, 2, todos soterrados por um novo
deslizamento.
Referencias:
1. Dilma
opta por hotel; comitiva usa 52 quartos e 17 carros; Folha de São Paulo;
Acesso: http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1249205-dilma-opta-por-hotel-comitiva-usa-52-quartos-e-17-carros.shtml
(acessado em: 21/03/2013);
2. Agora São Paulo; Pedreiro herói de 1981 perde
família em novo temporal ; Acesso: (acessado em: 21/03/2013);
3. Imagem:
Folha de São Paulo; Acesso: http://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/14696-de-heroi-a-vitima
(acessado em: 21/03/2013)


