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Thursday, March 21, 2013

A eleição de um papa inesperado e a “corrida” para neutralizar o seu potencial efeito: A Presidenta Dilma vai a Roma



Venho aqui na tentativa de reparar uma ausência de citações antes que seja tarde.

Reputo o Correio Nagô e o seu mantenedor, o Instituto Mídia Étnica como representantes da voz dos que não tem voz na “grande mídia”. É assim que o CN se torna automaticamente um representante da mídia alternativa, e como tal se constitui canal de veiculação e troca de informações no intuito de integrar ‘todos’ os segmentos da sociedade no que toca seus legítimos anseios por informação comprometida como que acontece de fato em níveis conjunturais os quais não estariam colocados ao seu alcance, quer seja por conveniências políticas julgadas a revelia pela “grande mídia”, quer seja por conveniência política dos grupos de poder, os quais agem em função da “defesa” de suas agendas particulares, cada vez mais e mais corporativas. Atribuo à mídia alternativa o exercício livre do seu papel, guardadas as molduras do decoro, da ética e da educação doméstica que deve reger as relações entre as pessoas no convívio social. Não vejo o Correio Nagô como representante de qualquer viés político ideológico associado a qualquer interesse partidário imediato ou não, ou como executor de agendas engendradas em bastidores de poder sob qualquer que seja o objetivo.  Aí vejo no Correio Nagô um “post” intitulado: “Movimentos ocupam a Secretaria de Segurança de São Paulo” denunciando o genocídio que se abate sobre a juventude negra nesse país, o que constitui uma denúncia grave, que só não assume o tom que a expectativa social deveria perceber, devido ao investimento maciço dos grupos de poder (governos, políticos, empresários, etc.:) na ignorância do povo, esse evento garantidor fundamental da manutenção do status quo, ou vocês pensam que nos “países desenvolvidos” as coisas acontecem de forma séria por que o povo que existe lá é diferente de nós?
Porém não vi até agora nada no CN que faça referencia a viagem da Presidente Dilma Rousseff a Roma para a cerimônia de entronização do Papa Francisco, em uma “viagem” tão inesperada quanto à eleição do próprio Francisco.  Quais os verdadeiros motivos que fizeram com que a decisão de ir a Roma ver o Papa fosse tomada? E que motivos levaram a composição da comitiva presidencial com nomes (aliás, nomes já corriqueiros no que toca a formação da comitiva presidencial), como Aloísio Mercadante, e Gilberto Carvalho?Que motivos levaram a Presidenta e sua comitiva a escolher um dos mais luxuosos endereços de Roma para se hospedar?
O Jornal A Folha de São Paulo na sua edição online datada de 20 de março, traz a seguinte manchete: “Dilma opta por Hotel: comitiva usa 52 quartos e 17 carros”. Segundo a matéria produzida pelo enviado especial daquela agencia noticiosa, um dos quartos foi transformado em escritório para a Presidência da República. A diária da suíte presidencial custa cerca de R$ 7.700, enquanto o quarto mais barato fica por R$ 910. Os outros 22 quartos, para pessoal de apoio, ficaram em local próximo. A presidente não quis ficar na residência oficial da Embaixada do Brasil, instalada num amplo palacete no centro histórico de Roma e que costuma receber mandatários do país. Foi o caso do ex-presidente Lula, em 2005, quando participou do funeral do papa João Paulo 2º. Segundo a assessoria da Presidência, Dilma prefere hotéis por facilitar a rotina de trabalho. No caso específico de Roma, outro motivo é que a representação brasileira está temporariamente sem embaixador. Já a frota alugada inclui sete veículos sedan com motorista, um carro blindado de luxo, quatro vans executivas com capacidade para 15 pessoas cada, um micro-ônibus e um veículo destinado aos seguranças. Apenas para o transporte de bagagens e equipamentos, Dilma contou com um caminhão-baú e dois furgões. A presidente chegou no domingo à tarde em Roma, quando aproveitou para visitar duas igrejas históricas. Anteontem, visitou uma exposição do pintor italiano Ticiano, se reuniu com o ex-ministro de Lula José Graziano da Silva, diretor-geral da FAO (organização da ONU para agricultura e alimentação) e com o presidente da Itália, Giorgio Napolitano, que está em fim de mandato.
Um dia ouvimos dizer que a luta da esquerda nesse país se pautava pela defesa do interesse do povo “oprimido pelas elites burguesas ao longo de toda a sua história”. Hoje em dia assistimos ao exercício do desperdício e da opulência em nome da tentativa de manutenção de frágeis agendas de cunho político-ideológico, ou será que está difícil perceber as manobras de um grupo ideológico rumo ao objetivo de se identificar o mais prematuramente possível com um Líder religioso capaz de barrar o curso das “beatificações populescas” orientadas por agendas políticas, co-patrocinadas pela ingenuidade dos que seguem o curso das coisas sem se dedicarem a uma maior reflexão sobre o que o futuro reserva?
Saíram os novos e impressionantes números da “popularidade da Presidenta Dilma. Mas, que significado prático se pode atribuir à popularidade da Presidenta, se no terreno onde as coisas acontecem de fato, o pedreiro Jamil Luminato, 53 anos, vive hoje, exatamente no mesmo lugar onde viveu drama semelhante ao que protagonizou há 31 anos.? Em 1981, o pedreiro desempregado foi símbolo dos deslizamentos em Petrópolis, que mataram dezenas de pessoas. Sua foto correu o país e deu ao fotógrafo Carlos Mesquita, morto ano passado, o prêmio Esso Regional de 1982, um dos mais importantes da categoria. Na primeira página do "Jornal do Brasil", a imagem mostrava Jamil, então com 21 anos, carregando o corpo de um bebê. A criança acabara de ser retirada por ele do meio do barro, no local onde nasceu, foi criado e mora ainda hoje, o bairro Independência. Segunda-feira, o pedreiro tentou fazer o mesmo, e dessa vez para salvar a filha, Drucilane Alves Luminato, 31; o genro, Rodrigo Vale; e dois netos, Rodrigo de Oliveira Valle Junior, 4 e João Vitor Alves do Valle, 2, todos soterrados por um novo deslizamento.
   
Referencias:

1.      Dilma opta por hotel; comitiva usa 52 quartos e 17 carros; Folha de São Paulo; Acesso: http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1249205-dilma-opta-por-hotel-comitiva-usa-52-quartos-e-17-carros.shtml (acessado em: 21/03/2013);
2.       Agora São Paulo; Pedreiro herói de 1981 perde família em novo temporal ; Acesso: (acessado em: 21/03/2013);
3.      Imagem: Folha de São Paulo; Acesso: http://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/14696-de-heroi-a-vitima  (acessado em: 21/03/2013)

Thursday, March 14, 2013

Candonblé e Resistência: Carmen da Conceição Nazaré de Oliveira, Mãe Carmen do Gantois



No dia posterior a eleição do Papa Francisco, o Primeiro Pontífice da Igreja Católica, nascido na America Latina (oportunidade na qual acontece também pela primeira vez na história dessa mesma Igreja, a eleição de um franciscano para o cargo), venho dar continuidade a série intervenções que iniciei recentemente, nas quais cito mulheres as quais se constituem importantes lideranças políticas, em função da autenticidade e sabedoria demonstradas através das suas práticas diárias, sempre pautadas pela prudência e pela determinação na busca dos seus objetivos, os quais, invariavelmente, envolvem o bem estar do seu próximo.
Na Bahia, como é característica do projeto europeizante tocado pelas elites brasileiras pelos últimos 512 anos da nossa história, o Candomblé, tem sido ferozmente combatido e alvo de tentativas institucionalizadas de destruição dos seus valores,taxados como evidencias de “primitivismo e atraso”. É oportuno enfatizar o desenrolar de uma galvanização do referido caráter instrucional da discriminação contra o Candomblé, enquanto símbolo das Religiões de Matrizes Africanas, a partir de formações corporativas nas assembleias legislativas nas três esferas de decisão regulamentar da vida nacional, com raras e louváveis exceções. Nesse cenário, acreditem: a tarefa de conduzir o Candomblé “por esse mar de longo”, adicionando-lhe prestígio incontestável é tarefa para poucos. É partindo da plataforma intelectual composta por essas observações que mergulho na história dessa manifestação religiosa-cultural da qual sou Ministro, e pedindo a benção aos meus mais velhos,

Sua bênção meu Doté Amilton de Sogbo!: Vodun Aó!
Sua bênção Mãe Carmen!
Sua bênção Mãe Flor de Ogun!
Sua bênção Mãe Deca de Lemba!
A bênção Egbon mi Mônica Millet!
A bênção Egbon mi Jaime Sodré!

 e comento um pouco sobre a descendência instalada no Terreiro do Gantois (do qual sou amigo e admirador antigo) a qual destaco, sem diminuir o igual brilho de muitas outras agremiações culturais-religiosas, conhecidas ou anônimas.
A tarefa que o Papa Francisco tem pela frente, de “recuperar o prestígio da Igreja Católica no mundo”, será marcada pelo caminho espinhoso da busca da conciliação de, entre tantas vertentes, de poderosos interesses antagônicos, de opiniões conflitantes defendidas por casas de poder dentro de uma organização administrada por indivíduos afeitos ao saber acadêmico e à organização do poder político em larga escala, porém, defensores de agendas marcadas por interesses corporativos, e, talvez, distantes das propostas de evangelização pela espiritualização do homem, salvo raras e louváveis exceções. Por isso, Deus o ajude!
Esse tipo de universo no qual o Papa Francisco adentrou ontem, 13 de março de 2013, na condição de líder, é, em escala reduzida, mas nem por isso menos complicada um espelho do universo característico de qualquer organização não tão grande, nas quais os seres humanos se associam para o exercício das suas práticas religioso-culrurais e o Candomblé não se constituiu exceção. Em função dessas características, seguramente, a baiana Carmem da Conceição Nazaré de Oliveira, ou melhor, Mãe Carmem do Gantois, tem lições de vida e conhecimentos em nível das necessidades protocolares comuns ao exercício vitorioso de uma liderança religiosa frutífera. Ou os leitores imaginam que reunir em um mesmo espaço pessoas de tão variados níveis da vida social do País em torno do serviço a “Orixá”, é tarefa fácil e pode ser tocada por leigos? É tarefa para privilegiados! Tem que ser exemplo de Fé, de Firmeza, de Maleabilidade e de Visão Política, e essas são algumas das características mais sólidas dessa Sacerdotisa, Mulher, Mãe, Guerreira e Política, no melhor sentido da terminologia.
Mãe Carmem de Oxalá é a Iyalorixá do Terreiro do Gantois, aqui na nossa cidade de Salvador, Bahia, Brasil. Ela é a filha mais nova de Mãe Menininha do Gantois e a irmã caçula de Mãe Cleusa Millet (já falecida). Carmem foi iniciada no Candomblé para Oxalá, seu pai de cabeça, quando ainda era criança e desde então, não parou mais de se aprofundar nos estudos religiosos e fazer suas obrigações espirituais. É Ela quem repete o que apreendeu com sua mãe, a Ialorixá Maior Mãe Meninha do Gantois, que hoje vive no Orun, com relação aos “da casa” ou aos frequentadores da casa, poderosos ou humildes. “Não sei se é doutor ou PhD. Todos são filhos”, decreta, com a experiência vivenciada nos dois lados, de filha e agora de mãe, na vida e na religião – cujas fronteiras, em sua trajetória, estão mais que embaraçadas. Além das manifestações de afeto e respeito, ela foi agraciada pela UNESCO, em 2010, com a Medalha dos Cinco Continentes ou da Diversidade Cultural.
Segundo a sua filosofia de vida, “Não há futuro sem base no passado”, Esse parece ser o lema da ialorixá que se mostra rígida com os preceitos, devotada à família e cada vez mais atenta à vontade de Orixá.
Casou-se jovem e mesmo assim, continuou na religião e trouxe o marido para ela. Assumiu o posto de Iyalorixá do Gantois - Terreiro mais famoso do Brasil. Ela traz o segredo do Axé tendo ao seu lado suas duas filhas: Mãe Ângela Oxum e Mãe Neli de Oxossi. Carmen nunca se afastou das obrigações espirituais nem do terreiro. Foi iniciada para Oxaguian (Oxalá jovem) aos 7 anos de idade e na infância costumava “brincar de candomblé”, fazendo vestimentas de plantas. E mal percebeu as brincadeiras virarem tarefas de adulto. Mãe Carmen líder o Ilê Ìyá Omi Àse Iyámasé, o Gantois, ao lado de duas filhas biológicas, três netos (todos iniciados), uma bisneta e muitas filhas de santo. Acrescentando os demais frequentadores do terreiro, iniciados ou não.
Do mesmo trono de Menininha, entalhado com o símbolo da casa – uma sobreposição de ferramentas e elementos de vários orixás –, Mãe Carmen afirma: “A hierarquia é um fato”. Mas, quando se trata do posto que ocupa, garante: “Não sou vaidosa”.Pela sua própria trajetória e personalidade, não há espaço para vaidades dessa natureza. Há sim, a necessidade de muita atenção e firmeza. “É uma responsabilidade muito grande, é preciso estar não com os seis, mas os dez sentidos ligados. Eu sou exigente, às vezes chego a desenhar as coisas como devem ser feitas, seguindo a tradição, o legado”, estabelece.
Carinhos, faixas e títulos servem de conforto para quem teve de se conciliar com as incertezas internas, até enfrentar o desafio de assumir o posto que fora da mãe, uma decisão que demorou quatro anos para ser efetivada, em um período repleto de especulações e cobranças. No Ilê Ìyá Omi Àse Iyámasé, localizado no Alto do Gantois, bairro da Federação, desde 1849, a sucessão se dá por laços sanguíneos e a hierarquia segue a linhagem matriarcal: só às mulheres é permitida a direção do templo.
 Sua benção Mãe Carmen!

*Esse post é uma homenagem a minha filha mais velha Maria das Graças (Gal) aniversariante de hoje, a minha esposa Solange, a minha filha Silvana, feita de Ossanhe,a sua Mãe Espiritual Araundê, (minha comadre), a minha prima Patrícia(ela sabe por que), a minhas primas Sara e Soráia, a minha (A bençao, minha comadre).

Referencias

1.      Mãe Carmen; Acesso: http://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A3e_Carmem   (acessado em 14/03/2013);
2.      Santo forte; Brasileiros; Acesso: http://www.revistabrasileiros.com.br/2012/03/06/santo-forte/  (acessado em: 14/03/2013);