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Friday, December 6, 2013

Um dia depois da morte de Mandela, Brasil e Fifa exibem hoje, durante o sorteio da Copa de 2014 o racismo que os rege



Desde que Nelson Mandela tornou-se presidente da África do Sul depois de vencer as primeiras eleições democráticas de seu país em abril de 1994 , o hino nacional consistiu em duas músicas emendadas. Uma  delas é " Nkosi Sikelel ' iAfrika ", ou " Deus abençoe a África ", cantada em manifestações de protesto negros durante os 46 anos entre a ascensão e queda do “apartheid”. O outro é " Stem Die " ("The Call" ) , o velho hino branco , uma celebração da conquista da ponta sul da África dos colonos europeus. Foi idéia de Mandela justapor os dois, no seu propósito de forjar, a partir de notas discordantes das melodias rivais uma mensagem poderosamente simbólica da harmonia nacional.
No Brasil, a democracia assume uma rota de contramão da história do homem moderno,  ao exibir “ícones arianos” na hora de mostrar a cara para o mundo.
Ainda no "nosso" Brasil, uma pesquisa realizada pelo IBGE em 2008 analisou a percepção racial dos brasileiros. A pesquisa contou com a participação de 15 mil famílias distribuídas em diferentes estados. Os dados mostraram que apenas 7,8% dos entrevistados afirmaram de forma espontânea que a sua cor ou raça é "negra" ou "preta". Curiosamente, 11,8% dos entrevistados disseram que a origem da sua família é "africana", embora 25,1% reconheceram-se como "afrodescendentes" e 27,8% como "negros" quando essas opções lhes foram apresentadas, denotando uma contradição entre as respostas. Porém, quando a opção "afrodescendente" foi apresentada, 21,5% dos entrevistados se identificaram como tal. Mais brasileiros reconheceram ter uma ancestralidade europeia (43,5%) ou indígena (21,4%) do que africana (11,8%). É notável que, após a independência do Brasil, as elites nacionais iniciaram a construção das bases do “Estado Nacional”. Nesse contexto, o índio, embora tenha sido combatido no passado (e ainda o é, basta ver os programas da agroindústria e das hidrelétricas do governo federal, que na prática são instrumentos genocidas contra o índio) foi alçado à condição de "símbolo da nacionalidade brasileira", numa busca da afirmação de “uma identidade nacional nova que se formava após a separação de Portugal”. A literatura brasileira pós-independência foi marcada por representações exaltadas e épicas do índio, como um símbolo nacionalista. O negro, por sua vez, nunca foi prestigiado, pois sua condição de escravo não era compatível com uma representação épica da nacionalidade brasileira que se tentava construir. O europeu, por sua vez, sempre foi considerado superior ao índio e ao negro. Antes da independência, o colonizador português era o símbolo da "pureza racial". Após a independência, a construção da identidade branca no Brasil passou a abarcar os mestiços e mulatos mais claros que podiam exibir os símbolos da "europeidade": formação cristã e domínio das letras. Assim, no Brasil, quem sofre inteiramente a discriminação e o preconceito são as pessoas que têm a pele realmente escura. Sobre essa população recai todo o tipo de estereótipo, dos papéis sociais, das oportunidades de emprego e do estilo de vida. A ideia do "embranquecimento" da população, por meio do qual a população negra seria absorvida pela branca, passava pela concordância das pessoas de cor em renegar a sua ancestralidade.
Na época da ditadura Vargas, notadamente, o governo brasileiro restringia a entrada de estrangeiros, especialmente de judeus, japoneses e negros. Ao mesmo tempo, buscava facilitar a vinda de portugueses e, inclusive, de suecos. As leis de imigração no Brasil foram calcadas na teoria eugênica, criada no fim do século 19 pelo britânico Francis Galton, influenciado pela teoria evolucionista de Charles Darwin.
No começo do século 20, a eugenia tinha status de ciência e foi praticada por Estados que buscavam "aperfeiçoar" a raça humana por meio de seleção artificial. Com a utilização desses conceitos no projeto de "purificação" nazifascista, (que deu no que deu) o termo “caiu” em desuso.
“O Presidente Getúlio Vargas, em atitude comum a quase totalidade das elites brasileiras estavam convencidos de que a composição étnica ‘não branca’ de boa parte dos brasileiros explicaria o atraso e as dificuldades do país”, escreve o historiador Fábio Koifman em "Imigrante Ideal: o Ministério da Justiça e a Entrada de Estrangeiros no Brasil (1941-1945)" [Civilização Brasileira, 446 págs., R$ 49,90]. A obra --com ajustes e revisões-- é a tese de doutorado defendida por Koifman na UFRJ em 2007 sob o título "Porteiros do Brasil".
Agora o Brasil, no evento do sorteio da Copa vai mostra que, "apesar dos percalços, a raça brasileira melhorou” (vejam como o racismo se exibe) exibindo um casal de apresentadores brancos arianos enquanto a maioria não representada por descendentes de alemães , e e em particular os contribuintes afrodescendentes assistem impotentes a tamanho ato espúrio de desrespeito para com aqueles que a custa de seu trabalho escravo (até o hoje não pago), construiram essa Nação.
A Atriz Thais Araújo, ao ser indagada sobre a escolha de protagonistas brancos arianos, para o sorteio da Copa de 2014 (com relação a que, para boa parte das comunidades afrodescendentes, ficou patente o racismo retrógrado aplicado como critério de escolha), declarou: "Eu acho que isso é um assunto que deveria ser perguntado para o Lázaro e para a Camila (Pitanga), que era também cogitada para comandar o sorteio). Eu não li uma linha do Lázaro sobre isso,continuou, então não sou eu que vou dizer. Eu não acho nada. Eu não sei o que aconteceu. Até então é especulação e eu não vou polemizar especulação", disse. No entanto, Taís foi taxativa ao comentar a questão do preconceito racial no país. "O racismo ainda é muito forte no Brasil sim. Isso é uma coisa que eu tenho certeza."
Referencias:
1.      1. Carlin, J; Nelson Mandela´s Legacy; Disponível em:
2.     2. Wikipédia; Composição étnica do Brasil;
Disponível em
3 3. Folha de São Paulo; A eugenia e o imigrante ideal no Estado Novo; Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/1168162-a-eugenia-e-o-imigrante-ideal-no-estado-novo.shtml (acessado em: 06/12/13);
4.      4. Gente; Thais Araújo: O racismo no Brasil é muito forte: Disponível em: http://gente.ig.com.br/2013-12-05/tais-araujo-o-racismo-no-brasil-e-muito-forte.html  (acessado em: 06/12/13);

Tuesday, June 18, 2013

No Japão o transporte, prima pela responsabilidade e respeito ao usuário



*大変お待たせしまし
                                   
                              Ou Em português– Desculpe por ter feito esperar!

Essa é a frase repetida pelo sistema interno de alto-falantes instalados em ônibus e trens japoneses e repetidas exaustivamente a cada parada. O detalhe é o seguinte: Esses veículos de transporte público estão sempre em ponto. A repetição do pedido de desculpas é uma característica do povo japonês com base na sua filosofia de que o dinheiro do público é ganho a custa de seu suor e por isso merece respeito. Você olha no seu relógio e vê, por exemplo, que são 12h43min, em seguida você pega o guia de horários de trens e vê que o próximo trem entre Hamamatsu, Shizuoka (estação ferroviária da cidade onde morei por 12 anos dos 15 anos que permaneci no Japão) e a cidade de Toyohashi, na vizinha província de Aichi, sai as 13h02min minutos. Se você já está na estação dirija-se a plataforma de embarque e boa viagem. Mas se você está a 15 minutos da estação, já se prepare para pegar o próximo trem, que sai às 13h32min. O trem das 13:02 minutos sai as 13:02 minutos: Nem antes e nem depois. O nome dessa atitude é respeito pelo dinheiro público.   
O transporte público que usamos é pago, e pela carga de impostos que nos é cobrada o mínimo o que deveríamos ter, é o respeito pelo imposto que nos é cobrado retribuído na forma de serviços de infraestrutura de qualidade: Educação, Saúde, Transporte e Segurança.
Por que a gente acha graça no estado da construção do metro de Salvador? O que é que tem de engraçado uma obra de custo bilionário ser dilapidada e sucateada pela ganância criminosa de indivíduos que desservem a tudo que se possa classificar sobre a face da terra, andam impunes a torto e a direito tomando como aval a ingenuidade do povo que os elegem?
  No Japão é inconcebível que um jovem, um idoso, ou qualquer cidadão ou cidadã seja assassinado enquanto se dirige ou volta do seu trabalho por conta da figura descontrolada do crime patrocinado pelo descaso e pela corrupção corporativa instalada nas instancias de poder.
No Japão existe uma das malhas ferroviários mais eficazes do mundo do mundo. A rede JR (Japan Railways) é o sistema ferroviário nacional, e é muito extensa, embora existam alguns menores detidos por empresas privadas, também. A JR opera vários tipos de trens, como o Shinkansen (Trem bala), que é o mais popular e mais rápido, rodando a 300 quilômetros por hora, a Nozomi e Mizuho (mesmo tipo do Snhikansen), ​​que operam principalmente nas ilhas de Honshu e Kyushu, respectivamente, e parar somente em grandes cidades, a Hikari( que em japones significa “Luz) e Sakura, e Kodama (que significa “Eco”, repetição do som) e Tsubame, que param em todas as estações.Algumas das ferrovias operam 24 horas por dia, mesmo oferecendo viagens durante a noite, mas a maioria não, geralmente param à meia-noite. Os horários de trem pode ser encontrado em todas as estações de trem, e também estão disponíveis em grandes hotéis.

Bilheterias pode ser encontrada nas principais estações de trem, onde os bilhetes podem ser comprados a partir de empregados ferroviários. Há também a opção de comprar bilhetes de trem através de uma máquina, que é mais popular e considerado mais eficiente, embora a maioria das máquinas só oferecem instruções em japonês.
Se você quiser fazer uso deste meio de transporte, recomenda-se que você tcompra um Japan Rail Pass, que permite que você viaje em quase todos os trens da rede JR quantas vezes quiser dentro de um determinado período. Reservas de assento pode ser realizada no gabinete JR em todas as principais estações, assim como na internet.
Quanto aos ônibus, há tanto intermunicipais como  de longa distância e voce pode viajar muitas vezes viajando durante a noite e oferecendo mais espaço para as pernas, embora estes sejam naturalmente, mais lentos do que o Shinkansen.  
Conseguir um táxi é também uma opção, já que táxis abundam por todo o Japão, e são completamente seguros. Não existe assaltos a motoristas de taxis. Se você está acostumado a abrir e fechar a porta do passageiro de um táxi em seu próprio país, você pode querer abster-se de fazê-lo, já que o motorista pode fazer isso automaticamente no Japão.
No nosso Brasil, nas instâncias reguladoras tudo é negociado a revelia e as costas do cidadão comum, último, a saber, como “maridos/esposas traídos/traídas” em que o poder constituído os transformou ao assistir impotentes ao enriquecimento ilícito de indivíduos que supostamente compõem as instancias de salvaguarda das liberdades individuais dentro do “regime democrático”. E na sequência dessa farra de imoralidades, profissionais liberais são “incendiados” dentro dos seus consultórios por bandidos disfarçados de clientes. Mulheres são estupradas, recebendo nas suas respectivas estruturas emocionais as marcas indeléveis da irresponsabilidade institucionalizada, pois, de fato muda, haja vista que as autoridades estão muito ocupadas em suas negociações que resultam em um sistema de transporte que “serve” ao cidadão com base em objetivos estranhos ao seu bem-estar.   
Será que nós brasileiros já estamos entendendo que essa história de deixar que a corrupção e incompetência dirijam os destinos da sua vida básica não é normal, e não tem nada de engraçado e por isso não pode ser tema apenas de “programas de humor”?

*A pronúncia japonesa da frase é  Taihen omatase shimashita

Referecias:

1.       Visit Kumamoto; Dsiponível em: http://www.visitkumamoto.com/Public-Transport-In-Japan  (acessado em: 18/06/2013);
2.      
Transport in Japan; http://en.wikipedia.org/wiki/Transport_in_Japan (acessado em: 18/06/2013);
3.       Imagem: http://beaverinjapan.wordpress.com/category/tourism/ (acessado em: 18/06/2013);

Monday, May 27, 2013

O povo negro da Bahia gosta de “dançar Candomblé” no “Bembé do Mercado”



Quem nasceu em Salvador ou em algumas cidades do Recôncavo baiano e já passou dos 50 anos, teve, certamente, a felicidade de ter convivido com netos ou bisnetos de escravos africanos durante parte da vida. Conheci na minha infância, “Dona Doú”, que para pedir licença ao pessoal que jogava bola na capelinha do Tororó, pedia: “ago, ago lona...”. E os jovens, na mistura de ignorância e desrespeito diziam jocosamente: “´perái pessoal que a Vó de mundinho (hoje, finado Raimundo, que já foi o melhor repinique da Bahia)  quer chutar em gol”... E a risadaria era geral. (Saudades do meu Tororó, da Escola de Samba cujo presidente, meu Tio Arnaldo Silva, está aí sinalizando o Samba da Bahia, que merece o maior respeito. Eu ensaiava todo o ano, par no Carnaval ser proibido de desfilar pela irmã se meu tio, minha mãe. Afinal, Samba, era “coisa de vagabundo”).
Hoje, após a evolução do conceito de herança africana que felizmente orienta a maioria dos estudos antropológicos e de história em curso nas nossas terras, sei um pouco mais sobre a minha infância e as minhas origens. Primeiro é necessário enfatizar que meus pais vêm do Recôncavo: Meu pai tem raízes que ainda estão vivas na Ilha do Patí, ali em São Francisco do Conde, e minha mãe vem de Maragogipe, sendo que meu avô materno era sobrinho de Xanxa de Ogum, Mãe de Santo muito conhecido na cidade de São Gonçalo dos Campos (conhecida na época e ainda hoje lembrada pelos mais antigos de lá). Aí, é desse povo que muito cedo, eu ouvia falar em “tocar o bembé”.
Hoje após alguns anos de estudo de Língua e Cultura Iorubá e Cultura Ewe-Fon, em função da posição que os Voduns me confirmaram no Culto ao Panteão Savaluno, cheguei à condição de melhor entender alguns pontos o que, contudo, não esclarecem ainda completamente as minhas dúvidas. Por exemplo, o dicionário Inglês-Iorubá de título “A Dictionary of the Yorùbá Language”publicado pela primeira vez em 1913 pela Church Missionary Society Bookshop, Lagos, e  tendo a sua 17ª edição publicada pela University Press PLC, Ibadan (Nigéria), em 2001 (como o exemplar que tenho em mãos), traz na segunda parte, onde estão as palavras em Iorubá, página 55 o verbete  “Bẹ̀mbẹ́”, que, ainda de acordo como o dicionário,significa tipo de tambor haussá. Deixo para os estudiosos especializados a tarefa de levantar mais esclarecimentos sobre as reais origens do “Bembé do Mercado de Santo Amaro”.
O que eu quero mesmo dizer é da alegria que senti ao ver meu povo, o povo guardião do Panteão Savaluno, tendo a frente o nosso Dote Amilton, ao lado do prefeito Ricardo Machado, pelas ruas principais da cidade na noite de 10 para 11 de maio, com o povo de Santo Amaro, ao lado dos Filhos de Gandhi, dançando ao seu tradicional ritmo “Ijexá” até sermos recebidos em grande estilo, pela benção da Ebomi Nice de Oya, e pelos acordes musicais de Jerônimo.
O povo negro dessa terra é fundamentalmente um povo de santo.

“Savalú, Savalú, Savalú na se kpe,
Dago na shi a gba  Savalú na se kpe” 

Referência:
2.      A Dictionary of the Yorùbá Language; 2001; University Press PLC Ibadan;ISBN 9780307605;
3.      Imagem: Foto tirada pelo Dofono George Sogbossi na noite do dia 10/05/2013, em Santo Amaro;

Sunday, April 28, 2013

Você sabia que o Caribe só dá “flor ariana” na imaginação do autor de novela brasileiro?



As evidências mais explícitas da manutenção do projeto racista de “embraquecimento” do Brasil é a postura de concessionários públicos que atuam na mídia. São posturas marcadas pelo flagrante e impune desrespeito ao quadro de miscigenação racial do Brasil, em nome da manutenção de uma estética perversa resumida em um mantra cruel, enquanto institucionalizada, qual seja: “branquear para melhorar”.
Depois de uma novela como foi “lado a lado” onde “se pretendeu” dar a um casal de protagonistas negros o mesmo status dos seus pares, no caso um casal de protagonistas brancos, os arautos da pseudo-democracia racial, encastelados no círculo velado decisório da mesma emissora que dá emprego a um senhor de nome Ali Kamel, autor do livro “Não somos racistas – Uma reação aos que querem nos transformar em uma nação bicolor”, na sequência, traz uma “flor do caribe” ariana. E por mais que você leitor, incomodado como eu pela percepção da manutenção do status quo racista e excludente com relação à visibilidade do Negro e do Afrodescendente, assuma com relação a essa “obra da ficção” postura clássica do “não vi e não gostei”, a lavagem cerebral praticada desde as primeiras horas do dia pela repetição massiva das “chamadas” torna incontornável a indignação de qualquer cidadão dotado de um mínimo de escolaridade, aliada a um mínimo de conhecimento da verdadeira história do Brasil, aquela que você só vê nos livros de Décio Freitas, como o livro “La Guerrilha Negra, Montevidéu, Nuestra América, 1971, que conta a história de Zumbi e do Quilombo dos Palmares (lançado em Montevidéu por ter sido proibido o lançamento aqui)”. É que a da Lei 10.639/03, alterada pela Lei 11.645/08, que torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana em todas as escolas, públicas e particulares, do ensino fundamental até o ensino médio até agora "não pegou".Quem sabe, se essa lei um dia "pegar" nós teremos acesso a verdadeiro acesso a verdadeira História do Negro.
A boçalidade explicita atropela o bom senso e segue impune e aplaudida pelos telespectadores (e contribuintes) aficionados seguidores das coisas do Brasil, colocadas pelos processos educacionais promovidos pelas telenovelas fabricadas a partir da matéria prima representada pela baixa escolaridade, matéria prima farta no nosso país, haja vista a promoção efetiva do manto de ignorância a categoria de "bandeira da simplicidade", ao  cobrir o nosso povo heroico e sofrido. Essa promoção, diga-se a bem da verdade, implementada pelo governo, através dos seus “planos de educação” está na ordem do dia a título de "simplificação das coisas".  Aí o contribuinte assiste a “estórias das Índias”, vividas por atores brancos fantasiados de hindus, falado Português, recheado aqui e ali, de dois ou três arremedos de termos ou expressões em Híndi, e chega ao fim da “estória” sem saber nem onde fica a Índia, ou qual a capital da Índia, ou quem foi Mahatma Gandhi, e o que fez pelo seu povo, ou mesmo quais as razões históricas para a existência de um sistema de castas, que está na base da origem dos “brâmanes”, ou dos “dalits”, tipos tão explorados em uma novela que passou. E na sequencia infeliz dos acontecimentos envolvendo, agora um universo onde circula o capital com sua selvageria mais autentica beneficiando os "famosos", assiste-se a “estórias envolvendo a Turquia” com turcos encarnados segundo as visões estereotipadas da nossa cultura eurocêntrica, e todos ficam felizes, sem perceber o avanço da marcha cruel do racismo na direção da sua consolidação como “processo de seleção natural”. A televisão nos dá os espelhos e colares modernos e nós reagimos do mesmo modo que os nossos antepassados indígenas reagiam há 500 anos.
Agora, a televisão racista do Brasil oferece ao contribuinte uma “flor do Caribe” ariana, que faz par com um ator ariano, formando um casal que não tem nada a ver com as características étnico-raciais do Caribe ou com a representação pitoresca desse povo tão miscigenado. O Caribe ou Antilhas como é também conhecido, é uma região que consiste do Mar do Caribe, e suas ilhas e algumas encerradas no Mar do Caribe e algumas outras beirando, tanto o Mar do Caribe como o Oceano Atlântico Norte. A região está localizada a sudeste pelo Golfo do México e do continente norte-americano, a leste da América Central e a norte da América do Sul.
Os principais países da região do Caribe – (com suas Capitais) - são: Antiga- (St.John's);Cuba-(Havana); Barbuda -(Codrington);Anguilla -(The Valley)
Barbados; (Bridgetown);Ilhas Virgens Britânicas- (Road Town);Dominica – (Roseau);
República Dominicana- (São Domingo);Guadalupe -(Basse Terre);
Granada-(São Jorge);Guiana-(George Town);Martinica-(Forte-da-França);Nevis-(Charlestown);Saint Croix-(Christiansted);Porto Rico-(São João); St.Kitts-(Basseterre);
Santa Lucia-(Castries);São Martinho /St.Maarten-(Philipsburg);São Thomas-(Charlotte Amalie);São Vicente e Granada-(Kingstown);Haiti-(Porto Principe);e Jamaica-(Kingston).
O Caribe só tem como referencia o branco europeu na visão colonialista da história das Américas, e nos romances de cunho dúbio cunhados pelas mentes racistas de Hollywood, no que seguido pelos eternos autores das chanchadas novelísticas brasileiras, herdeiros diretos dos melodramas hispânico-mexicanos.
Uma legitima flor do Caribe é Tully Femcourt, a Miss Maritnica 2010, que aparece ilustrando esse post.

Referencias:

1.      Entrevista com Joel Zito Araújo; Acesso:  vivafavela.com.br/materias/entrevista-joel-zito-ara%C3%BAjo, (acessado em 27/04/13);
2.      Caribbean; Acesso: https://en.wikipedia.org/wiki/Caribbean  (acessado em 28/04/13);
3.      Imagem: TullyFemcourt, Miss Maritnica 2010; Acesso: www.timesofbeauty.com  (acessado em: 28/04/13);