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Tuesday, February 1, 2011

As celptocracias Afro-orientais em cheque: O Egito é a bola da vez?



Aqui no ocidente, a escravidão africana e a conseqüente tragédia humana que passou a história sob o singelo rótulo de Diáspora Africana, são tratadas como fatos históricos distantes, pertencentes a uma época perdida em um passado sem conexão com a realidade atual conjuntura (!!??) internacional, ou ainda melhor, são episódios tratados como se acontecidos em um outro distante, remoto e insignificante planeta. Basta que se observe como exemplo ilustrativo, o tratamento dado ao “Holocausto judeu”, uma “tragédia humana, na qual morreram mais de seis milhões de judeus...” para que se faça uma idéia dos dois pesos e duas medidas aplicadas no dimensionamento de cada um desses dois episódios, a maioria dos historiadores contemporâneos estimam que entre 9,4 e 12 milhões de africanos chegaram ao Novo Mundo trazidos pelo infame tráfico negreiro, embora o número real de pessoas tiradas de suas casas seja consideravelmente maior. O racismo da sociedade ocidental como um todo é uma característica intrínseca a própria construção da civilização, visto que estabelece os seus padrões de referencial estético, com base em ícones grego-romanos. Ora, na prática, uma civilização que investiu por muito mais de quinhentos anos na construção de códigos e padrões religiosos e seculares de ética e conduta com vistas a justificar a pretensa “inferioridade” do seu semelhante nascido na África, no sentido de escravizá-lo, sem incorrer em conflitos com os seus princípios mais caros, tais como “a igualdade entre os seres humanos perante Deus (só para citar um dos mais famosos)”, não irá se tornar igualitária e inclusiva a partir de decretos, leis ou medidas provisórias. Acho que a menção ao Holocausto e o descaso em relação Diáspora Africana é um sintoma importante da postura da sociedade ocidental.
O comércio de escravos é às vezes chamado de “Maafa” por estudiosos Africanos e Africano-Americanos. Esse termo significa "holocausto" ou "grande catástrofe" em Suwahili. A escravidão, na “visao pragmática” dos empreendedores colonialistas era um elemento, uma peça componente de uma máquina econômica formada por três sistemas intercomplementares. Vejam: Havia (i) o comércio na Europa de podutos e bens adquiridos na África; (ii) o lucrativo tráfico trasnoceânico de escravos (iii) a exploração dos recursos naturais e de suas transformações e industrializações com base no uso da mão-de-obra escrava nas colônias.
O comércio de escravos foi a geratriz de uma situação de deseqeuilibrio humano brutal que perdura, invadindo os nossos dias, posto que, em última análise envolveu quatro continentes, quatro séculos e milhões de pessoas. Não se consegue `curar´ tamanha ferida em cinquenta ou cem anos.
Hoje, de repente, como por obra de um passe de mágica (como por através de um túnel) , a África passa da condição de fornecedora de “mão-de-obra quase-humana” para a condição de “celeiro inesgotável de comodities (minério de ferro, petróleo, gás, urânio, etc.:)” para as quais os sistemas herdeiros dos três sistemas acima mencionados, precisam ter garantido os respectivos acessos a baixo custo. A história da escravidão se constitui uma escola importante demais para ser desprezada (esquecida, anulada) por esses herdeiros. Afinal, uma das práticas usadas para alimentar a indústria escravista era o fomento de guerras internas entre povos rivais ou inimigos, para depois comprar os escravos, espólio valioso dos derrotados. Daí essa experiencia acumulada ao longo de séculos de prática, recomenda que a forma mais segura de garantir o acesso a esses importantes insumos, é sem dúvida, a construção, entronização e manutenção de líderes-fantoches. Vez por outra, acontece uma aberração, um erro na dose, ou no cálculo da fórmula que dá como resultado um Sadan Hussein, ou ainda pior, um Usama Bin-ladden, Mas de um modo geral tem funcionado muit bem. É desse modus operandi que nasce a justificativa para a existencia de um sem número de “ países africanos aliados” do bloco de potencias ocidentais ( a China também tem aprendido muito) liderados por ditadores sanguinários, com títulos de ditadores ou não. Nomes importantes das respectivas oposições das configurações politicas locais, quando não são eliminados fisicamente (assasinados), vivem exilados em nome da sua sobrevivencia como ser humano, assim com as respectivas sobrevivencias de seus familiares mais próximos.
Aí entra em cena a revolução humana que a informação hoje processa com uma rapidez vertiginosa. O povo, em qualqeur parte do mundo é sinonimo de aglomeração massificada de humanos, gado humano marchando am direção a morte física do seus respectivos corpos individuais. Mas o exesso de miséria imposta pelas classes dominantes, pode eclodir em revoltas históricas.
Eis que na Tunisísia um jovem de 26 anos, de nome Mohamed Bouazizi, (que apesar de múltiplos canais de mídia relatarem que tinha um grau universitário, a irmã dele, Samia Bouazizi, afirmou que ele nunca tinha se formado no ensino médio mas que era algo que ele queria para si próprio e suas irmãs) que tinha trabalhado em várias atividades desde que tinha dez anos, e que no sua final da adolescência, abandonou a escola para trabalhar em tempo integral, passou a trabalhar como vendedor ambulante, por conta própria, sem ter a licença do governo. Na Tunísia, assim com em quase todos os países africanos e orientais, aquelas sem ligações de compadrio nem dinheiro para “molhar a mão dos fiscais e inspetores” são humilhados e insultados e não tem “permissão para viver”. Independentemente disso, Bouazizi foi humilhado publicamente quando uma guarda municipal feminina de 45anos oficial feminina municipal, lhe deu um tapa na cara, e cuspiu nele, para depois confiscar suas balanças eletrônica, e jogar no chão as suas frutas e hortaliças, sendo ajudada por dois colegas masculinos que dominaram Bouazizi. Também foi afirmado que ela fez uma calúnia contra o seu falecido pai (uma das piores formas de ofensa e humilhação para um muçulmano).
Irritado, Bouazizi foi ao escritório do governador para se queixar. Após a recusa do governador para ver ou ouvi-lo, mesmo depois de Bouazizi foi citado como dizendo: "'Se você não me receber, eu vou me queimar” , ele adquiriu uma lata de gasolina (ou duas garrafas de thiner) e, às 11h30 hora local (menos de uma hora depois da briga e se imolou na frente de prédio do governo. Era dia 17 de Dezembro de 2010.
Segundo a mãe Bouazizi, que não foi informada da intenção de seu filho antes que ele realizasse esse ato, disse que “ ele se suicidou porque havia sido humilhado e não por causa de sua pobreza ", referindo-se ao assédio da polícia.

A morte Mohamed Bouazizi provocou um terremoto político que removeu o presidente da Tunísia, Zine el-Abidine Ben Ali do poder há quase duas semanas, e as ondas sísmicas foram se espalhando por todo o mundo árabe, agitando regimes dominantes desde a Argélia ao Egito, e da Jordânia ao Iêmen. A maioria da imprensa pan-árabe parece estar comemorando a Revolução que derrubou o ditador da Tunísia, torcendo para que o mesmo aconteça no Egito onde o ditador Hosni Moubarak está encastelado no poder há 30 anos. Enquanto isso, os líderes árabes têm-se esforçado para não parecer contrário à "vontade do povo tunisino", enquanto ao mesmo tempo, tentando conter o avanço da disseminação do "vírus da revolução democrática" para seus próprios países.
Elaph.com, jornal mais popular do mundo árabe em linha, argumenta que os recentes acontecimentos na região têm demonstrado que "as pessoas são capazes de quebrar a barreira do medo", apesar da desumanidade dos regimes dominantes. O jornal citou Burhan Ghalyoun, o diretor de um centro de estudos do Oriente Médio, como a expressão de surpresa que os tunisinos "alcançaram grande mudança na velocidade da luz. Isso prova que mudanças não de tão difícil implementação como se costuma pensar ".
A referencia para a ilustração se encontra no endereço http://www.africaresource.com/rasta/wp-content/uploads/2011/01/Mohammed-Bouazizi.jpg

Sou Adelson Silva de Brito, professor de Física e estudante da Língua Iorubá e colaborador da Casa da Nigéria de Salvador Bahia.

Wednesday, January 19, 2011

O primeiro Embaixador Negro do Brasil



O Brasil é um país, no mínimo interessante, no que toca a sua política racial interna. Como negro filho de pais humildes, mas que enxergaram na educação um rito de passagem para a uma camada da sociedade “menos desfavorecida”, cresci sob a inspiração de alguns mantras repetidos diuturnamente pela minha mãe. Alguns dessas instruções paternas me direcionavam inquestionavelmente para fora do âmbito das questões raciais, enquanto eu, por outro lado, percebia na escola, diferenças entre o acolhimento dispensado pelos professores e funcionários aos meus colegas de pele clara. Um exemplo que guardo bem na memória foi o da preferência notória de um professor de matemática, pelos alunos de pele mais clara, e o desprezo em igual intensidade dispensado aos seus alunos negros: Em uma sala composta por quarenta e cinco jovens adolescentes, todos os seus alunos claros tinham apelidos carinhosos cunhados por ele, com base nas suas respectivas características físicas individuais. Na hora da chamada tinha a “Rapunzel”, o “Imperador”, “Helena de tróia”, “Perseu”, e por aí. Na minha hora, e nas respectivas horas de dois colegas (por coincidência (?) também negros), ele sempre errava os nomes, que pronunciava entre os dentes, de forma seca e lacônica: Imagine vocês um adolescente de quatorze anos vivendo essa situação.
Ouvia dos meus professores, vizinhos, amigos dos meus pais, parentes, etc.: o ensinamento, que o Brasil era uma democracia racial, enquanto que nos Estados Unidos o negro era discriminado, odiado e que inclusive, havia leis de segregação racial, e coisa e tal. Quis checar essas informações diretamente. Pedi aos meus pais para me matricularem em uma escola de Inglês, ao que eles responderam que não tinham condições para bancar esse estudo. Estudei Inglês sozinho e quando pisei pela primeira vez em uma escola de Inglês, aos dezoito anos, passei no teste para professor. Aí comecei a comparar a nossa “democracia racial” com a realidade americana. De lá para cá se passou algum tempo. Hoje estou com 56 anos. Nessa manhã, ao verificar a minha caixa de entrada do e-mail percebi um email enviado por uma amiga, contendo um texto jornalístico encimado pela seguinte manchete:
Brasil aponta o seu primeiro embaixador negro
E a matéria segue dizendo: “...Filho de um contínuo, Benedicto Fonseca Filho, 47, foi promovido em dezembro a embaixador, o primeiro negro de carreira. E o mais jovem. Passou por Buenos Aires, Tel Aviv e Nova York. Vai chefiar o departamento de Ciência e Tecnologia. Ele declara orgulho de ser negro e filho de pais humildes que o educaram para chegar ao topo na casa mais aristocrática do país.
Nasci no Rio, em 1963. Mudei para Brasília em 1970 porque meu pai veio ser funcionário do Itamaraty. Ele foi agente de portaria, que é um contínuo...”
Parabéns aos pais e a esse nosso Irmão, que nos enche de orgulho, esperança e fé na nossa resistência. Aí eu volto meus olhos para a realidade dos nossos irmãos nos Estados Unidos, e constato que lá o primeiro embaixador negro foi Edward Richard Dudley, apontado pelo Presidente Harry Truman para o cargo de embaixador dos Estados Unidos na Libéria em 1949.
Para exercício da memória, recuperei uma informação que julgo oportuna para a ocasião: Adhemar Ferreira da Silva, atleta negro brasileiro campeão do salto triplo antes de João do Pulo. Adhemar Ferreira da Silva nasceu em 29 de setembro de 1927, na cidade de São Paulo. De família pobre, começou a trabalhar muito cedo para auxiliar no orçamento familiar.
Trabalhando de dia e estudando à noite, o jovem Adhemar só iria conhecer o atletismo aos 18 anos, quando começou a treinar em sua hora de almoço. Em seu primeiro salto, considerado excepcional para um iniciante, conseguiu a incrível marca de 12,90m.
Ao saltar 15m, conseguiu se classificar para as Olimpíadas de Londres em 1948, a primeira a ser realizada depois da Segunda Guerra Mundial. Sua participação lhe rendeu um modesto 14º lugar, com o singelo salto de 14,46m. Esta situação se reverteria no campeonato sul-americano de atletismo de 1949, quando estabeleceu seu primeiro recorde de 15,51m. A partir daí, por cinco vezes foi campeão olímpico sul-americano na modalidade de salto triplo. Por estas qualidades, foi Adido Cultural na Embaixada Brasileira em Lagos, na Nigéria, entre os anos de 1964 e 1967.
Na mesma matéria, aparece outra citação importante:

“...Brasil é mesmo uma terra de contrastes, estamos agora discutindo democratização da banda larga e não queremos a do século XX, mas a do XXI (Alô, alô, @paulo_bernardo), mas precisamos eleger um presidente operário para ter o primeiro ministro do STF negro – Joaquim Barbosa...”
O Dr. Joaquim Barbosa nasceu em Paracatu, noroeste de Minas Gerais. É o primogênito de oito filhos. Pai pedreiro e mãe dona de casa, passou a ser arrimo de família quando estes se separaram. Aos 16 anos foi sozinho para Brasília, arranjou emprego na gráfica do Correio Braziliense e terminou o segundo grau, sempre estudando em colégio público. Obteve seu bacharelado em Direito na Universidade de Brasília, onde, em seguida, obteve seu mestrado em Direito do Estado.Como grande jurista e dono de um currículo sólido, foi em 8 de maio de 2003, foi nomeado para o Supremo Tribunal Federal – STF, pelo então Presidente Luis Inácio Lula da Silva.
Ora, nos Estados Unidos o Dr. Thurgood Marshall (2 de julho de 1908 - 24 de janeiro de 1993) um jurista americano, foi o primeiro Africano-americano a servir na Suprema Corte dos Estados Unidos como ministro. Ele foi nomeado pelo presidente Lyndon Johnson em 1967.
A minha esperança é queos nossos irmãos negros entendam que os fenomenos do esporte são eventos esporádicos louvávies de sucesso profissional, mas que não podem servir como via de regra para a busca, alcance e consolidação da emancipação. A educação é o único caminho de verdadeira libertação e superação da condição perversa que nos é imposta pela sociedade brasileira, hoje ainda desigual e palco do exerício do pior tipo de racismo, qual seja o racismo instiucionalizado.
A Organização das Nações Unidas – ONU escolheu o ano de 2011 como o Ano Internacional do Afrodescendente.

Sou Adelson Silva de Brito, professor de Física e pesquisador com atuação na área de radiação ambiental ligado ao Laboratório de Física Nuclear Aplicada – LFNA da Universidade Federal da Bahia – UFBA