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Tuesday, December 14, 2010

"Vida" no ideário milenar sino-nipônico



No Japão o mundo visual, ou seja, o caleidoscópio que se descortina aos olhos postos sobre o universo em volta dos mortais nascidos no ocidente que por lá param, grava uma impressão indelével que se adere definitivamente as paredes do repositório cognitivo e a partir daí estabelece um fluxo sanguíneo intangível que circulará o corpo físico por todo o sempre da existencia individual. Tendo vivido pelas terras do mikado (帝), (mikado é o título pelo qual se costumava referir ao imperador) durante quinze importantes anos, sou uma feliz vítima da impressão que enfatizo.
Ao me posicionar frente ao meu pc para escrever sobre o tema, logo me vem as imagens do meu primeiro amanhecer no bairro de Kanzanji (舘山寺) , as margens do lago Hamana (浜名湖) na cidade de Hamamatsu (浜松市), provincia de (静岡県) Shizuoka, dona da terra onde “vive” o Fujisan (富士山 ), um dos ícones da cultura japonesa. Como fui para Hamamatsu? A resposta é : O destino me levou para Hamamatsu.Mais precisa, contudo, é a mesma resposta em japonês: (運命は日本に私を連れて...) Ligando a máquina e acessando ao editor de texto, começo a escutar mentalmente a música vinda das `vans´ dos vendedores ambulantes de farinhas de peixe,e de produtos milenares dessa importante culinária oriental (a música tomava o ar, com seu quase invariavel estilo consagrado, que serve de fio condutor entre as gerações, o famoso “enka” (演歌 ), das sopranos que cantam, apaixonadas à beira do suicído (自殺の危機にひんして), os amores frustrados, ou dos tenores Saburo Kitajima e Ichiro Toba (北島三郎、鳥羽一郎) que cantam a bravura dos homens do mar (海の兄弟). Enquanto ao fundo o som periódico produzido pelas máquinas de um parque de diversões localizado colina acima, próximo do alojamento no qual encontrei abrigo. Importante ressaltar que toda essa algazarra tinha contudo uma característica indissociável do modo de viver do Japão: O controle do volume de decibéis. Voce ouve o barulho que não incomoda. O japonês preza acima de qualquer coisa, a tranquilidade do seu vizinho, a tal ponto de ter na frase: “evitar incomodar os vizinhos... (隣人を迷惑防止するために) uma das máximas do seu cotidiano.
Dispensável pontuar a minha paixao pelos ideogramas chineses usados na escrita japonesa, e denominados “kanji” (漢字), literalmente “letra (字) da China(漢). Lembro então que um dos ideogramas que logo me chamou a atenção pelo seu uso sútil e rodeado de nuances místicas, O japones é tão místico que caracteriza a qualidade energética do dia mediante um complicado sistema de classíficação de energias insondáveis, segundo o qual a semana tradicional é composta de seis dias, que constitui o sistema “rokuyo” (六曜). Assim, a depender da posição do dia no calendário o mesmo pode ter a qualidade “daian” (大安) literalmente “grande segurança”. Dia bom para iniciar negócios, cursos, casamento, etc.: Pode, ao contrário ser “tomobiki” (友引) literalmente “puxar amigo”. Ninguém faz funeral nesse dia. São dados sinalizadores de códigos secretos e caros a toda cultura,resistentes aos modismos ditados pleos sabores dos prazeres fugazes derivados de uma existencia sob o comando de líderes e inspiradores da esbórnia momentânea, que se instala nas “sociedades tecnologicamente avançadas” (não vai aqui nenhuma condenação puritana): No Japão tem de tudo. Mas a linha mestra da sociedade é o respeito a transmissão dos valores inegociáveis da sua cultura.
Os ideogramas que representam a idéia de “VIDA” na composição de várias palavras e expressões do cotidiano. Acho oportuno alertar ao meu querido seguidor, quanto a impossibilidade de aprofundar a análise dos exemplos que vou citar, sem o assumir o compromisso de me estender em uma tese de doutorado nessa área fascinante da antropologia universal: A cultura nipônica (日本の文化). Perdoem-me então, a abordagem resumida da temática. Ao mesmo tempo, confesso um prazer docente em incitar meus leitores à busca pelo enriquecimento cultural, através da presente provocação,pois cada palavra ou expressão dessa cultura milenar guarda uma história multimilenar ligando dois povos em um só palco humano universal: A China e o Japão.
Em uma das minhas primeiras incursões ao centro da cidade, ví a primeira referencia signifitiva a vida sob as cuidadosas e disciplinadas óticas altamente espiritualizadas do povo japones: Um gigantesco outdoor fixado em uma estrura metálica no alto de um arranha-céu ao lado da estação de Hamamatsu (浜松駅) exibia o produto “seguro de vida” (生命保険).O ideograma vida com a função de sinalizar ser auto-animado é (生),que se lê “sei” enquanto o ideograma que completa a idéia de vida a ser segurada (preservada, literalmente, estendida além da presente existencia) é (命), que se lê “mei” que é muitas vezes traduzido também como "destino". Às vezes, esse ideograma é simplesmente traduzida como "vida", mas, mais em termos da própria sorte na vida. Em certos contextos, isso pode significar comando ou decreto (命令 ), lido como “meirei” ordem superior inquestionável (antigamente decretada pelo imperador). É claro que tal decreto se torna parte do destino.
Em chinês, esta palavra se inclina para a definição de sorte ou destino.
Em coreano, é o hábito de ler simplesmente como "vida" no sentido simples de existir.
Em japonês, pode significar todas as definições acima, dependendo do contexto.
A Biologia enquanto ciencia (生物学) literalmente “estudo de coisas vivas”, na visão cosmogônica japonesa estuda a relação entre vida e movimento. As questões éticas decorrentes da tecnologia genética (遺伝学的操作) contemporânea, não reproduzem no Japão o papel de alvo das mesmas controversias que gatilham no mundo ocidental. Um dos fatores para essa neutralidade, na minha visão é o ateísmo primário instalado na soceidade japonesa pelo budismo (仏教). O japones além de budista é tambem shintoista (神道 ). Porém, separa suas duas religiões principais de forma estanque. Ele é shintoista na sua vida social cotidiana e no seu relacionamento ancestral com a natureza, enquanto é budista no trato dos interesses coletivos. Hoje, podemos facilmente cortar e colar partes da seqüência de DNA de organismos, incluindo seres humanos, e, em seguida, modificar o genoma de qualquer organismo, utilizando técnicas de DNA recombinante. A tecnologia da engenharia genética tornou-se o método básico para a pesquisa biológica nas universidades e corporações em todo o mundo. No entanto, muitas pessoas comuns podem ainda não se convenceram de que a tecnologia pode levar-nos a desempenhar o papel de Deus.Mas nem por isso chegam a organizar movimentos. Eles ficam em cima do muro esperando os resultados para daí, tomar uma posição.
A vida também enquanto “inochi” (命) é (物事の生きている本質) "a parte mais essencial de um objeto”, sem o qual deixa de existir sob a forma que satisfaz a expectativa. Por exemplo, "para tirar Inochi alguma coisa" não significa que matá-lo, mas para tirar a sua qualidade mais importante e essencial ... que é, por exemplo, a função do movimento do corpo em uma dança ou a música bonita de um canário. Esta palavra é às vezes aplicado a coisas não-vivos, tais como “a Inochi de uma boneca" (人形の命 ).
O sentido último de Inochi é a vida eterna (永遠の生命) .A frase pode ser encontrada em materiais religioso escrito em japonês. Por exemplo, o cristianismo no Japão prega que obtemos Inochi eterna através da crença em Deus (神への信仰), e as seitas Jodo do budismo (仏教浄土宗) prega que obtemos Inochi eterna em Sukhavati (Jodo, a Terra Pura) no mundo a seguir.
Tanto em Japonês quanto em Yorubá as palavras são essencialmente repositórios da força de realização e movimento no cosmo. São objetos místicos dotados de charme e encantamento, tal como a vida nas suas mais variadas nuances nesse caledoscópiio incomensuarável que unifica tempo e espaço e chamamos de Universo (宇宙).

Referencias bibliográficas:

1) The Concept of Inochi : A Philosophical Perspective on the Study of Life by Masahiro Morioka;

Recursos de escrita japonesa e pesquisa auxiliar:
1) Google translator;
2) http://tangorin.com/general/universe